Blog Em Dia

com Racib Idaló


08-11-2019

Lula: trinta anos depois, a esperança virou injustiça, e o erro foi 'gostar de quem não gosta de você'



O ano era 1989. Ano mágico, a volta da democracia plena, com a eleição presidencial. Após passar minha adolescência inteira sob um regime burro, insano e sem liberdade, vivia o meu primeiro ano como cidadão de maior idade, a democracia em todos sentidos, iria votar pela primeira vez para presidente da República e, ainda era candidato a Presidência da União Estudantil Uberabense (UEU).

Jovens nas ruas, debatendo política, com um grau bem maior de conhecimento, infelizmente, do que hoje. Até pelos anos de chumbo, a juventude se interava mais, já que tudo que é proibido, para os jovens, sempre é melhor do que é permitido.

Com as duas campanhas em paralelo, da Presidência da República e da Presidência da UEU, vivi um ano mágico de esperança de um país melhor, mais justo. Mas a minha esperança acabou-se naquele ano, quando um candidato oportunista, muito parecido com o atual presidente, de nome Collor, venceu a eleição.

Mas tinha tirado uma grande lição daquela eleição, apesar da minha juventude: o Brasil tinha jeito, existiam propostas concretas. Um metalúrgico, quer tive a oportunidade de buscar no aeroporto na época, e que teve que dormir no chão de um apartamento de um militante do seu partido porque não tinha dinheiro para pagar hotel na campanha eleitoral em Uberaba, me dava esperança de um Brasil melhor.

E veio... Demorou, mas veio... Eleito em 2002, ou 13 anos depois, Lula fez grande parte do que se esperava para primeiro momento, para mudar o país. Deu emprego a quem precisava, deu casa para precisava, deu, principalmente, oportunidades para quem nunca tivera... Teve erros, acertos, decepções, mas tudo esperado em um país que tinha um mesmo “grupo” no poder há 500 anos.

Lula quebrava uma tradição maldita de governos de direita por 500 anos. Mas Lula esqueceu-se disso depois de eleito, de que ele nunca foi dessa ala, e achou que todos gostavam dele, até essa turma. Errou, eles gostavam dos lucros que Lula dava durante os seus oito anos de seu governo.

Mas Lula cometeu o pior de todos os pecados: deu oportunidade do pobre virar classe média, e do classe média virar classe alta. E os ricos, que até então “adoravam”Lula, desgostaram, depois de ver filho de pobre tirar o lugar de seu filho nas universidades públicas, de ter que repartir poltrona de avião com esse pobre, e tão pouco gostou do pobre poder parar de mendigar e ter emprego para trabalhar, e com salário que dava para se sustentar.

Hoje o país, para quem conheceu o que foi o país antes de 2003, e não tem preconceitos e não se deixa manipular pelos grandes meios de comunicação, sente saudades daquele metalúrgico, preso de forma injusta. Sabe da importância desse metalúrgico, que deu “show” de administração e de jogo de cintura nos mais altos executivos do país, que sempre acharam que uma graduação superior basta para ser melhor que outro ser humano. E hoje o país vive sua pior crise dos últimos 30 anos.

Se não podemos voltar para 2003, esperança é o que não falta de um país melhor...

#LulaLivre